Eu sou preconceituosa com best-sellers. Preconceito puro, não quero, não gosto (pelo menos agora).
- Tô lendo "A Cabana"!
cérebro: Que merda.
boca: Ah, é? Ahn...Tá em que parte?
- Ah, um livro que eu achei muuito bom é "Crepúsculo", é demais.
cérebro: Que merda!
boca: É, né...Tem bastante gente falando desse livro...
Pode ser bom? Pode, eu acredito que alguns realmente sejam. Digo mais: pretendo ler um dia daqui a vinte anos. Alguns até despertam meu interesse.
Mas vamos com calma né, Brasil. Abri ontem a revista da Avon e no meio dos acendedores de fogão, sandálias, curvex, escovas e coisas estranhas em geral, havia duas páginas anunciando livros. "É Natal! Presenteie com informação e cultura!". E o que tinha lá? A Cabana, Crepúsculo, Marley e Eu, A menina que roubava livros, Harry Potter nos volumes1,2,3,4,5,78,12541 e 17895, O Caçador de Pipas, Quando Nietzsxshzche chorou e por aí vai...
Ratificando, meu preconceito não se confunde com a qualidade do livro, - até porque nunca li nenhum desses e não sou imbecil pra julgar sem conhecer - também não tem estreita ligação com seu público. Digo estreita porque as opiniões de algumas pessoas são duvidosas, principalmente as que não conheço muito bem, e convenhamos que são muitas, afinal todo mundo da faculdade, do trabalho, da rua, da aeróbica e da bocha lê.
A implicância é por que é pop? Um pouco. Os livros que são bons serão lidos muitas vezes sem que a pessoa entenda ou seja realmente tocada de alguma forma pelo que está ali, já que ela iniciou a leitura cheia de informações das mais diversas já prontas. Isso é triste. Os que são ruins serão divulgados também, e isso passa de triste, é cansativo.
Outra questão que faz eu não querer me aproximar dos sucessos do momento na vitrine recheada das Lojas Americanas, é que, sinceramente, não acho que esses livros serão eternizados. Eles sempre me parecem apenas cabíveis para o momento, seja histórico, social, emocional ou momento literário mesmo. Neste ponto, criem uma nota mental pra nossa amizade não se abalar: não confundir best-seller com clássico, não confundir best-seller com clássico, não conf...
Posso estar bem errada nessa minha última impressão. Não sei se os livros que são clássicos hoje pareciam ter esse futuro promissor, quando foram lançados.
Eu enumerei várias justificativas pra minha aversão, mas acho que na verdade elas são desculpas. Eu faço uma careta quando ouço um dos títulos do momento mesmo, e ponto.
Você pode vir aqui defender qualquer um dos livros citados numa boa (ainda que sem motivo, já que eu não critiquei pejorativamente nenhum). Mas, se alguém vier falar que eu esqueci dos livros do Paulo Coelho como best-seller, ou achar que qualquer livro dele poderia receber um título diferente de "Os maiores clichês do século", ou argumentar que é literatura, nem adianta criar mantra pra manter a amizade, ela vai acabar aqui e eu vou dizer: Tu é um(a) merda.