08 abril, 2007

"...mas agora dá licença? Eu queria ficar assim quietinha com a minha garrafa, ô! delícia beber sem testemunhas, algodoada no chão feito o astronauta no espaço, a nave desligada, tudo desligado. Invisível. O que já é uma proeza num planeta habitado por gente visível demais, gente tão solicitante, olha meu cabelo! olha o meu sapato! olha aqui o meu rabo! E pode acontecer que às vezes a gente não tem vontade de ver rabo nenhum.”

Lygia Fagundes Telles

07 abril, 2007


Ana Margarida Benedita de Jesus é uma moça estranha. Tem longas tranças atadas com fita vermelha e roupas que não correspondem a sua época (muito menos a moda do momento). Todas as pessoas olham pra ela na rua, porque apesar do tipo estranho, tem um rosto muito bonito.
Ana Margarida vai à missa todos os domingos mas se martiriza de vez em quando porque sabe bem que não é tão santa assim. Na verdade não é nem um pouco santa.
Ana Margarida é meio desorganizada e preguiçosa. Não gosta de conversar nem de brincar com a priminha de 7 meses de idade. A porcaria da criança só sabe babar e cagar mole.
Nessa páscoa Ana Margarida roubou alguns bombons da loja onde trabalha, na hora que o chefe saiu. O chocolate era ruim e aguado, pensou que não tinha valido a pena e se arrependeu do que fizera.
Ana Margarida Benedita de Jesus anda meio insatisfeita com sua pessoa.