27 maio, 2008

Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela de filosofia, é mundo bem melhor
Canta uma canção que agüente essa paulada e a gente bate o pé no chão
Canta uma canção daquela, pula da janela, bate o pé no chão

Sem o compromisso estreito de falar perfeito, coerente ou não
Sem o verso estilizado, o verso emocionado, bate o pé no chão
Canto que não silencia, é onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada da voz arrancada o nosso coração

Como sem licença, o sol rompe a barra da noite sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria, grita a poesia e bate o pé no chão
Sem o compromisso estreito de falar perfeito, bate o pé no chão
Sem o verso estilizado, o verso emocionado, bate o pé no chão

Canta uma canção bonita falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela de filosofia, é mundo bem melhor
Canta uma canção que agüente essa paulada e a gente bate o pé no chão
E hoje quem não cantaria, grita a poesia e bate o pé no chão




Aquela música velha, que quando eu percebo tá passando pela minha cabeça. Passando até com o mesmo som ruim de fita cassete, o chiado ao fundo. 

08 maio, 2008

Aperto meus dedos na tentativa de protegê-los da manhã fria, fria mesmo com esse sol que me olha diretamente. Olha mas não aquece. Ele só ignora. Assiste e mesmo podendo fazer algo, por pura falta de motivo plausível não faz.
As pessoas passam geladas, todas elas. Com muita pressa pra falar bom dia a alguém. No máximo um levantar de sobrancelhas, quando muito. Jogam algum papel de bala no chão.
Os homens cospem. No trânsito da avenida movimentada, comunicam-se com buzinas alucinadas que se perdem em meio ao barulho dos caminhões que passam na outra via.
As mulheres se apressam em ligar suas mangueiras a torneiras que liberam toda a água existente no mundo, pra lavar a frente da casa empoeirada, é claro. Fazem isso enquanto, por cima do muro, comentam com a vizinha sobre a novela das oito.
O ônibus pára e um velho magro passa por mim correndo, ou tentando correr, o cobrador dando um empurrãozinho apressado manda subir logo e sentar ali na frente, ó. O velho senta e silencioso olha pro chão, pra rua e então olha pra mim. Mas eu não posso fazer nada. Eu estou gelada. Sentada aqui, com o sol.