18 outubro, 2010

distraindo a verdade, enganando o coração.

Engraçado o que falta de comunicação e expressividade fazem. Você enxerga um problema, sofre por ele e resolve tirá-lo a limpo com a pessoa envolvida, a fim de definir quais providências serão tomadas.

Então você lança a bola, dessa vez exigindo retorno. E você consegue. Ela volta. Mas volta cinco vezes mais pesada. E com o desenrolar do jogo, com as justificativas e razões e mágoas sendo expostas, o problema inicial some; torna-se egoísta e medíocre e dá lugar a um outro de proporções preocupantes. Essa é a raiz.

Passa pela cabeça toda aquela história de por que não soube de tudo antes, por que ramificaçõezinhas do problema não denunciaram o gigante a que serviam. Ou simplesmente porque a pessoa que o carregava não se dispôs a expressar sua existência. E ocorre também a ciência de que tudo já era sabido, sim, mas mascarado e remediado a cada dor pungente. Dor de uma existência invisível.

01 outubro, 2010

desconcerto.

9h10 da manhã, passageiros com sono, o céu cinza-claro pelas janelas do metrô.
Eu atrasada, pensando no que fazer sobre mil assuntos diferentes, olhando pro chão.
Ele com blusa de lã, cabelos brancos, pele enrugada cheia de veiazinhas azuis e olhos úmidos...
E assobiando afinado, de um jeito tão triste e lindo que me deu vontade de chorar.