26 julho, 2011

Dizem que esse laranja do céu, à tardinha, é poluição.

Que seja. E é bonito. A beleza tem, invariavelmente, alguma sujeira inofensiva; e se não tiver, então não é coisa daqui. É da matéria dos sonhos.

Meia dúzia de mensagens trocadas tentando sintetizar a vastidão das angústias, cinquenta coisas a dizer suprimidas. Mas o que é esse buraco no peito? Uma falta das coisas que não foram, uma loucura de realização das que parecem, hoje, dever ser. Um quê de fazer com o corpo as coisas mais absurdas para que algo, enfim, seja dominado: a casca que não toma ciência de sua dependência da polpa. 

Extremidades geladas... A situação exige, mas o vento bate e não corta. Devia. Devia congelar as narinas, correr pelo que for caminho e trincar por dentro o que faz sentir, destruir em pedaços irrecuperáveis o cérebro, limpar o podre-belo do céu laranja, subir ligeiro para a alma com fluidez de água corrente. Realidade rarefeita e branca.