20 Agosto, 2011

Hoje pela manhã, na minha primeira visita do dia à cozinha da empresa, vi andando pelo telhado um gato supostamente branco. Fiz psss, psss! para chamar sua atenção, encostei na porta que dá para o pequeno quintal e comecei a tomar um café, olhando o bicho que esticou o pescoço em minha direção e fixou as garras na beira das telhas: o que é? Terminei o café e achei que ele estava se demorando na mesma posição, fitando meus olhos dispersos com os dele, muito azuis, como se qualquer outra cor de olhos fosse ofensiva. Aceitei o flerte desafiador, matutino e inesperado: você irá embora primeiro, meu querido.

Você costuma sempre fazer coisas às quais é impelida, mesmo sem a convicção de que gosta realmente delas? Sabe... como esse café tomado sem qualquer prazer ou atenção.

...

Ah, eu não devia ter feito essa pergunta; fui um pouco burro por não deduzir a resposta, mas é que só agora vi a quantidade de açúcar no fundo da xícara. Entendi. O truque é acrescentar vantagens imaginárias para que as coisas te pareçam, de fato, desejadas. Assim sua realização se torna mais aceitável. Bastante medíocre, mas lógico, admito.

Fui em direção à pia e enchi com água a xícara, para dissolver a espessa crosta de açúcar já seca no fundo. Saí da cozinha. Gato encardido.

1 denúncias:

Sayuri disse...

epifanias matutinas para um bom começo de dia!