09 novembro, 2011

fugere urbem

Corpos cortados por luzes, um estar assim iluminado, matéria cadenciada segurando como se pode. Não, nada excitante ou metafísico (embora o horário propício): um veículo de transporte público. Num canto eu desafiando o equilíbrio, segurando falso para as mãos poderem imitar dança. Luz branca nas fuças, que até o nariz me mostra. Daí para baixo é reflexo na janela, qualquer coisa que lembre um dissolver. Nos pontos, passantes negando sua condição, porque veja: ponto, portanto parado se fica. Pela minha boca, ora distorcida, ora definida, há o vislumbre das casas e comércios em velocidade. Estamos correndo, te passando, cores em sobreposição, rosto/rua transparente. A luz me cega, aproveito o movimento de fechar olhos e abrir boca. Não é bocejo: pestanejo a poeira da cidade e abocanho a noite.