Há dias essa pitangueira já olha para baixo, cravada em terra que arqueja, tão pungente a insolação. Eu vou com ela à procura de frescor para o piso frio, enganadas ambas por gotículas remanescentes da atividade de um inútil regador. Culpados os raios que, ai, esturricam (as gotículas, eu, a planta verde, a planta rosa dos meus pés, nossas raízes).
Na casa escura em prenúncio do clamado desaguar a pele se junta ao tecido. Este, se debaixo do sol, marca o corpo - pelados metropolitanos coloridos somos. Me dispo sem alívio, atordoada e sem ênclise.
E se eu juntasse retalhos de frescores passados e te fizesse uma roupoema?
A velocidade dos movimentos tem algo de gato gordo incomodado em cesta pequena, cesta de mercearia tocando mpb em esquina de bairro. Acrescenta-se ao quadro de languidez amarelada (sem moldura, papel puro de bordas corroidíssimas) o cérebro-maquinar prejudicado pelo clima. Em escaldante entorpecimento, sono é coisa fácil de se passar por maluca, e entre cochilos de tardes assim febris me pergunto se ainda há quem tenha nos olhos a cor das tempestades.
2 denúncias:
se pergunta se ainda há quem tenha nos olhos a cor das tempestades... engraçado pois eu vejo a tempestade nos olhos te muitos. gostaria mesmo de ver a calmaria, ou aquele brilho espontâneo de luz própria que emana esperança (na gente).
nesse texto não vejo um protagonista, vejo no mínimo uns oito.
comecei a mastigar esse texto naqueles dias de calor insuportável, que deixa a cabeça doente. o que eu via nos muitos olhos era um quê amarelo de exaustão, pesado cansaço de tanto ser. a cor da tempestade nesse contexto é feito uma bênção.
que oito protagonistas?
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