28 abril, 2012

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diz’que cobrir os pés é devido:
evita-se pedra poeira percalço.



mas que se faz, se chão colorido
pede que dance o ser descalço?

16 abril, 2012

périplos

meu corpo um maquinário de ritmos, oriundos de mil cantos, para um ponto convergindo. um maquinário em processo, em peças que não se querem frouxas mas pouco esforço fazem para se fixar, ter lugar cativo; espaço hábil ao funcionamento da engrenagem e folga suficiente para dispensar manutenções.

meu corpo algo que estrala, estica em concordância às circunstâncias externas e com mesmo empenho se contrai quando do desamparo. desajustes são as cãibras, torções propositais sempre em busca de porcos encaixes e arrepios pelo frio, silêncio conjunto sombrio ou puro desespero de ser.

meu corpo uma planície de marcas: registro da ciranda interna que corre a sujeira do sangue, comprime no centro do peito o manda-chuva vermelho (uma pontinha mais à esquerda), lateja ali abaixo do umbigo em horas inoportunas e escorre até os pés em palavras.

pelas pernas me desce a cantiga.

meu corpo morada do funcionamento circular frenético. em ciranda não danço, pisoteio. 


Publicado também na Revista Mallarmargens.