30 abril, 2013

o tempo é um mar aberto absurdo

em que ecoa o que me disseram há tempos
e desde então não soube responder, de amores: 
o que é que acaba, afinal?
houve uma suposição acerca da esperança, 
e tanto uma quanto a outra se afogaram no álcool 
e na falta de exigência de horas que sozinhas avançam.
algumas das folhas viçosas que pendem do telhado 
(sabe-se lá exatamente brotando de onde)
me davam alguma. esperança. estão amarelinhas agora 
e eu suponho que seja o outono, e eu supunha que a lua estaria diferente por esses dias.
eu andava numa estupidez de querer bem a lua se revirando no meu cabelo;
que é vago, muito falho e muito pouco.

.

sonhei que um urubu era um pássaro pequeno, gordinho e marrom que caía de seu ninho, depois de sentir-se mal revirando os olhos sem amparo. aí alguém dizia, olhando de longe, que o bico havia quebrado. ainda me acontece de acordar com sons da pancada seca na mente e achar minhas mãos muito vazias pela manhã.

22 abril, 2013

15 abril, 2013

é a lama, é a lama

quando passo daquela linha, continuo falando e achando que as coisas não me falam; alongo a perna para transpô-la, fininha, procuro não fazer barulho na aterrissagem, apago uma parte ínfima do tracejado com os pés inábeis e peço desculpas imediatamente. no que bebo as horas vou afundando e não é a ponta dos pés que oferece vislumbre, nem poderia, se já não dança por si. de modo que se a vista plena me fosse dada, gritaria, eu faria um escândalo, ah, que lindo é o meu amor! e me jogaria no mar estourando de felicidade. [...] mas eu dizia que, depois da linha, sou criação no que é dito também. e digo, digo, digo mas não sei. sei que nervosa sapateio em espaços pequenos, e que isso agora me vem mais vezes do que gostaria; na verdade nem gostaria, embora saiba das assimilações decorrentes e colha cada uma devagarinho no canto da cortina, na fruteira, nos olhos dos outros – quando se deixam. prevejo os enquadramentos nesses mesmos pontos e a luz matinal das cozinhas ainda me é uma coisa lindíssima, a cama um retrato calmo muito só e comovente, o corpo na cama etc.