27 maio, 2013

não sonho mais. ou não me lembro, segundo o que dizem. dias antes era a profusão de imagens e as assimilações decorrentes, que eu gostava de criar; agora é o vazio que não chamo descanso. minha mãe, por sua vez, sonhou que seus cabelos voltavam a crescer fartamente de um dia para o outro. no que me locomovo pela cidade olho um pouco displicente as árvores que continuam floridas, e apesar de achar bom e bonito não entendo muito isso, a julgar pela estação em que estamos – pela vizinhança do trabalho novo elas também pipocam em cada esquina. das tentativas de lembrança onírica vou para o lamento porque não conseguirei escrevê-las, vou para as dores musculares pela bolsa que pesa (entre outras coisas que pesam), e vou para o movimento de certificar que o meu guarda-chuva lá está. o amor tem me dado trovoadas na cara como fossem pouco, lá do alto das suas nuvens de aparência tranquila. calcule o aguaceiro.

19 maio, 2013

obediência


i

permanecer sob a fresta de sol.
isso das costas coladas à parede fria
para que me atinja em cheio


ii

a manhã que começa
no quintal do silêncio mútuo
orvalhando em uma samambaia de folhas truncadas


iii

e já cai com a língua de fora:
mesmo clara, é cadela à procura
exposta, triste que só o diabo,
sussurrando samba
e de quatro


iv

quando nota, virou tarde;
e com uns ares
de estação errada
sobra-lhe, enquanto noite,
uma veia que lateja na cabeça
roxa
como fosse motivo


v

como fosse solução isso de mover-se
sob raios para buscar cura
para buscar ternura


vi

e levar ambas na concha das mãos, pontualmente
para que te atinjam em cheio