17 maio, 2014

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da cama mesmo, toco no chão o resto de maçã roída minutos atrás. fria. úmida. 
um sustento de carrretel para o sumo... e foi tão doce! fuji.


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recolho os brincos azuis e redondos, para hoje não ter globos nas orelhas. é precaução de não saber onde andam pendurados os sonhos que não tenho tido.


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fez frio na volta, de um vento que naturalmente não toca muitos neste dia da semana em que um laço fica suspenso nos ares sujeito à disponibilidade dos desejos. por vezes parece frágil, de modo que não se nota cor. é como o azul dos brincos ou alguma outra.


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importam-me as crises. fazem que corte minhas unhas dos pés e todas as carnes que as circundem.
nisso, na cama mesmo, o sangue toca o lençol. quente. úmido.


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é madrugada e a chaleira apita mais alto. o tom agudo diz pela cozinha que é na chama da cor que já sabemos que arde todo tipo de toque previsto.
diz que ali eu fervo, para buscar cura, minhas próprias doenças.

07 maio, 2014

autoestranha

sempre isso de falar baixinho
do tom forte das inseguranças
e do quanto alucina

(também porque a dor contrai:
vai do umbigo à primeira gotinha vermelha
no algodão branco da calcinha)

se o que perturba a cabeça não reverbera no tal e qual,
é preciso usar agudos de assombro, soluço, saco cheio
ou coisa que o valha. em uma boca que não cala, 
tagarela

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no outro dia chora-se com os ombros balançando,
cara vermelha, o peito que infla de apelos
nem nisso há beleza, pois, nessa fraqueza

(também não pensava destaque de imagem por qualquer coisa;
meus seios são pequenos)