20 junho, 2014

quando se diz oceano

quando se diz oceano,
ficam do irresponsável suspensões no ar e o palato salga. para
muito além de icebergs, há também nas percepções uma pontinha
de existência fraca e burra.

quando é o mar sob as vistas,
olhe que frescores assume a carcaça: ah, o corpo encontrando as
águas! o peixinho cabeça-tronco-membros endireita a espinha e
jura ser aquela uma conexão visceral.

na praia é que morre o pensamento.
não sem antes soluçar, em arrepios e espasmos, o choque com a
vida costeira. pouca água para três goles de cura e mosquitos aos
bocados maltratando a mucosa.



prosa poética do livro Marambaia.
vídeo gravado em Olinda, PE.