18 novembro, 2014

ando traindo sagitário

muitas coisas querem dizer os astros,
mas ouço pouco, pouco faço.
e olhando as outras vejo uma força
que não me vem. são essas mulheres.
seus grandes planos dependendo 
de somente este algo: de si.
sigo nas águas mantendo foco em
pérolas que, dizem, as ostras guardam
(tenho agonia de ostra).
eu guardo vontades, coragens pela metade
e certos arroubos que correm quase soltos.
precisava um que corresse 
disparado na areia, inteiro cavalo,
galope desvairado, cavalo que é bravo.
de se desconfiar quem mexa na tua crina
com toque pesado. tem ocorrido.
a aventura, ao menos, reside ainda
no desrespeito aos horários.
é só na brecha deles que penso,
levemente: ando traindo. traindo sagitário.

07 novembro, 2014

imagino o meu corpo, uma colina

de maneira que outubro é que abraçou desgosto.

todos lemos o poema do daniel faria aqui: as mulheres aspiram a casa (...). e as mulheres sufocam, meu bem, eu falei? de o ar ficar perdido nas não respostas e em todo movimento brusco dos abraços brutos, que eram para proteger e no meio do gesto perderam motivo. enfraqueceram. mas agora tenho uma flor colada ao braço pa_ra sem_pre. quanto dura a tinta das decisões? por quanto tempo fica no ar o perfume das margaridas?
muitas vezes tua bermuda é da cor da minha saia que é da cor de tudo o mais que fica da ponta do meu pé à linha-limite à sua frente. anteontem, no entanto, choveu, o céu ficou de um cinza parecido ao pássaro pesado que pousa na minha cabeça e não alcanço com os braços para espantar. não tenho me alongado. oioioi, que desculpa terrível! mas já levantei, já vou.

três dois um e alongue-se o verbo.


título da postagem: Herberto Helder.

04 novembro, 2014

sms

uma abelha bêbada pousou na minha barba. tirei ela e meu dedo ficou com cheiro de mel

03/04/2014
14h40