21 dezembro, 2014

poema geladeira

se desenhasse faria uma personagem toda dona
da vida dela, do nariz, das partes baixas e todas as outras
bem dona. para dizer livremente afetando qualquer orgulho
(e não com vergonha porque isso não é matéria de poeta que se respeite)
várias coisas estúpidas como
— jantei um pêssego e três danoninhos ontem

então penso como minha barriga tem feito barulhos horríveis
quando estou deitada com a barriga para cima

como se eu guardasse um bicho inconformado.

como se eu não guardasse um bicho inconformado,
reviro ainda os outros espaços frios à procura
de um alimento fresco, fácil, embora bastante dentro dos conformes

e, por fim, como não desenho naquele nem nos dias que se seguem
escrevo sobre entranhas e espaços frios ao lado de plantas sem dono

a pleno sol

01 dezembro, 2014

quanto me incomodam as unhas grandes ou descuidadas. infinitamente menos pela aparência do que por saber que estou sendo comida pelo tempo. com bordas brancas ao redor e peles levantadas prestes a deixar um vão doloroso de carne viva.