21 abril, 2015

dum caderno que esqueci na gaveta, três fragmentos em baixa resolução

e sob sombra, que é como são as coisas recentemente antigas: de se entender, mas precisa uma forcinha.







15 abril, 2015

- sim, a ventania é sempre muita.

pensava encontrar força no mar revolto,
porque mesmo a areia fina corre forte, é dona de feridas delicadas,
porque as árvores mantinham-se fincadas,
porque os pássaros tentavam voar contra
etc.
e a pele ali dura
se forjando dura
como os cascos de um cavalo
pedindo ajuda debaixo de sol bruto.

[meu bem, isto não parece pedido de ajuda? está claro que é pedido de ajuda?]

o problema é sempre a espera não caber nas barcas.
veja bem: eu me jogo no mar com âncora e tudo,
sem resposta e bastante sozinha,
naquele mar revolto de que falei.
que é movimento suficiente para mostrar força
que faça onda nas ondas.


é triste, mas lá debaixo nunca sei dos pássaros.