10 junho, 2015

registro para calendário de urgências


há algumas coisas que não é possível conceber
e há palavras

não paro de me comover com a comoção das pessoas com a lua
vai ver não quero parar

viver pode ser difícil, principalmente - você vai saber do que estou falando
- principalmente se estiver preso nisso - e se tiver a consciência
você subitamente para e diz, voltando pra casa, depois de estourar de álcool e felicidade,
aí diz: "estou só"

outro dia eu li uns versos que pareciam você e o mar
lembrei de seu nome e achei que ia pular

imagina só poder ordenar: tragam um dia leve! na bandeja, com fruta fresca,
pão e suco com muito bagaço porque é direito querer 
do sumo as coisas puríssimas

receber um e-mail que fala 
de como o inverno chegou ou de como as coisas em um domingo são
e quando ler tudo, sorrir violentamente. nutrir na entranha uma alegria
que agrida o medo e interrompa coisas terríveis
e interrompa coisas pequenas como fincar a unha na pele das costas

eu faço minúsculas feridas, estrelas vermelhas de ânsia e fúria

reparo no tamanho da sua gengiva enquanto conta algo que pedi, 
reparo que também não conto coisas,
nem vou
uma colega reparava no colo das pessoas enquanto havia conversa,
nos ossos, o início do peito
a gente olhando reto ela de olhos baixos,
aí você constrange

eu não reparo. tenho pressa
não paro os dias e eles me passam. remedio tudo, sou feito vulto, 
assusto, bato janelas
e aparo arestas.

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