14 agosto, 2015

é sempre que o dia levanta torto.
há sol mas ele não aparece na mesa de café
tua roupa de dormir perdeu o cheiro de sabão há muitas manhãs 
o calor faz promessas neste trópico 
e reclama-se de desodorantes, assadura nas coxas,
um amolecimento do coração
você disse que isso do tempo tem muito a ver, 
seca os olhos sangra o nariz

agosto não tem jeito.

aquele mês que já parece mais tarde, 
você pede conversa sabe que não adianta muito
é como abrir o peito àquelas pessoas que têm um jeito constante
de quem vai embora
existe uma dúvida entre o provisório e o perene que espreita pela janela,
suando, sorrindo, contando os anos; este e os próximos
parece perigoso o tempo deste agosto
sempre, sempre que o dia levanta torto

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