14 setembro, 2015

– olha pro lado.

uma foto despenca da parede com ar de coisa inevitável,
uma frase suspende a tarde, e você fica tudo névoa.
um corpo feito em substância, cuja silhueta é tão perfeita
que inclusive existe e nos espaços suspira.

no fundo das coisas, com os olhos fechados 
e suas partículas de segundo pairando brilhosas,
o mar ainda é imenso. 

ainda, de algumas coisas, dá para pular sem oxigênio extra, 
ainda se sonha em ver baleias que surjam 
para cortar a água. 
o branco denso de nuvens tocando a superfície
seria um algodão-doce-de-sal, sabor de descanso mudo.

um trajeto, algumas horas, muitos poros, dois mundos: 
choque de realidade.
é piscar de lado, pleno dia, e você ainda fica inteiro névoa.