25 novembro, 2015

sonho que estou criando coragem para matar um animal asqueroso que estava dentro de outro animal na minha sala.

um galho se parte logo cedo em frente ao terreno e quebra a manhã, eu penso sentir cheiro de alecrim em diferentes lugares o dia todo, nas gravações alguém ousa poesia, outro alguém não me olha nos olhos no elevador e sai mancando e eu saio sangrando dentro crises amorosas alheias. sagitário chega e é sabido que minha porção animal está dentro de outro animal. chega a conta de luz, chega um pingente pelo correio. o gato me olha piscando muito devagar.

horas muitas vezes estão por um triz, você pensa um pouco crendo que está ligado num tipo de atmosfera alucinada mas com falsa cor de camomila. e meu bem,
o dia é coisa delicadíssima.

07 novembro, 2015


invariavelmente é preciso um silêncio longo 
como quando está falando alguém que conhece o segredo das plantas
como a atenção fixa num objeto de desejo, numa pessoa do seu desejo 
e em quanto importam no início, dela, as dores.
no mais das vezes, a barulheira me dá taquicardia
da mochila pesada, do calor dos trópicos, da rapidez com que correm
as rodas quando se vê algo fora, tão fora do que cabe num poema
que você estende o pescoço aperta os olhos
- aquilo na avenida era uma garagem cheia de melancias?
alguém se atreveu a ver quanto a cor verde ocupava de espaço.
isto é uma chance na tua manhã. uma imagem destoante é um presente.
acalma o sangue agitado que enquanto corre manda recado
de que a matéria é frágil mas não podemos nos lembrar disso sempre.
um pensamento que por estar por um triz te deixa sempre por um triz,
você é coisa delicadíssima. e existe um gatilho.
é coisa mínima, um sinal que te suspende e o tal gatilho te tira...
mas aqui não se sabe falar de mudanças bruscas.
o terror de existir tanto nome na boca é o terror de sonhar que todo mundo te esqueceu
é o terror do teu vinho sozinho no fim da noite pra trazer um sono que teu corpo nu
jamais soube dar (e ouça bem: jamais saberá)
como aliás nada nu existe enquanto haja tanto nome alheio na boca.
eu tenho um sem número de pessoas sendo provadas nos pontos de sabor da língua
papilas, sei lá. todos os dias.
e aliás gostaria de ter pontos cardeais na língua e no resto do corpo todo 
pra ficar bem orientada, resolver uma caralhada de coisas vis, 
o dobro disso de um amor sozinho, a falta do toque, administrar as cores das horas,
uma tática efetiva que traga calma, cinco passos na linha reta da leveza
e os rompantes cardíacos dos dias.