07 novembro, 2015


invariavelmente é preciso um silêncio longo 
como quando está falando alguém que conhece o segredo das plantas
como a atenção fixa num objeto de desejo, numa pessoa do seu desejo 
e em quanto importam no início, dela, as dores.
no mais das vezes, a barulheira me dá taquicardia
da mochila pesada, do calor dos trópicos, da rapidez com que correm
as rodas quando se vê algo fora, tão fora do que cabe num poema
que você estende o pescoço aperta os olhos
- aquilo na avenida era uma garagem cheia de melancias?
alguém se atreveu a ver quanto a cor verde ocupava de espaço.
isto é uma chance na tua manhã. uma imagem destoante é um presente.
acalma o sangue agitado que enquanto corre manda recado
de que a matéria é frágil mas não podemos nos lembrar disso sempre.
um pensamento que por estar por um triz te deixa sempre por um triz,
você é coisa delicadíssima. e existe um gatilho.
é coisa mínima, um sinal que te suspende e o tal gatilho te tira...
mas aqui não se sabe falar de mudanças bruscas.
o terror de existir tanto nome na boca é o terror de sonhar que todo mundo te esqueceu
é o terror do teu vinho sozinho no fim da noite pra trazer um sono que teu corpo nu
jamais soube dar (e ouça bem: jamais saberá)
como aliás nada nu existe enquanto haja tanto nome alheio na boca.
eu tenho um sem número de pessoas sendo provadas nos pontos de sabor da língua
papilas, sei lá. todos os dias.
e aliás gostaria de ter pontos cardeais na língua e no resto do corpo todo 
pra ficar bem orientada, resolver uma caralhada de coisas vis, 
o dobro disso de um amor sozinho, a falta do toque, administrar as cores das horas,
uma tática efetiva que traga calma, cinco passos na linha reta da leveza
e os rompantes cardíacos dos dias.

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