12 fevereiro, 2016

sem-nome


deve fazer uns dois anos que coloquei Hilda logo acima da minha cabeça, com letra insegura, na parede colada com a cama. é um poema que me enche de assombro daquilo que dá para captar e do que acho que não consigo. e que mostra alguma coragem também. 
não olho sempre para ele, e menos ainda quando me sinto sem habitar coisas que importam, porque é fácil fugir de tapas necessários, afinal.
quando releio, é de novo o olho bem aberto, o sentido atento para a força de cada verso que vai escapando dias a fio na malha do costume.


De cigarras e pedras, querem nascer palavras.
Mas o poeta mora
A sós num corredor de luas, uma casa de águas.
De mapas-múndi, de atalhos, querem nascer viagens
Mas o poeta habita
O campo de estalagens da loucura.
Da carne das mulheres, querem nascer os homens.
E o poeta preexiste, entre a luz e o sem-nome.

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