06 fevereiro, 2016

trinta e cinco


eu lembro de verões muito quentes
e de como as plantas miram o chão, vendo a secura dos próprios pés.

lembro de blusas dobradas em estilo lambada,
melancia para comer agachado na calçada
e de como o suor faz o corpo parecer brusco embora na outra ponta 
das vontades escaldantes um minuto corra em arrasto.

lembrei como no fim do dia, debaixo da água fria, 
a carne parece um plano fervente em que foram jogados vislumbres em gota.

lembro como sem porquê evito tanto a cor amarela.
pensei em girassóis e depois na beleza do tempo e seu controle difícil.
pensei em sóis e em largar de controle.

depois um ramo quebrado de alecrim, sua foto na geladeira, a conta d'água, limonada.
o gesto lançando os cubos de gelo e uma torcida estranha para que nada volte a seu lugar.
lembrei o mar,,,

depois esqueci.

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