14 março, 2016

aparentemente foi numa manhã.

você falava:
que chuchu nos restaurantes nunca tem gosto,
que as árvores estão florindo na época errada,
de livros atrasados na biblioteca,
que até queria e planejou, mas sobre isso
não fez nada.

eu falaria:
sobre algum assunto sóbrio,
pensando (na verdade)
em amassos, versos, metrô lotado,
o que me acontece nas tardes,
pensando em declarações completas
ou resquícios.

no meio da fala, lançaria um feitiço
pra gravar com mão firme no ar
o traço dos planos suspensos em uma semana.

e por falar em sentimentos controversos,
a lua sorri num risco fininho de deboche
como quem chega inocente e sem hora
porque está sempre do lado avesso.
um lapso de tempo é coisa que se mastiga
pouco, matéria pra diluir em minutos:
dos sonhos rompe a coragem, deixa vislumbres

ou nem isso.

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