10 abril, 2016

rubro


meu joelho dias atrás, ferido do alto de um feriado.

e foi queda lenta: um deslizar no cimento já prevendo trauma e ao mesmo tempo sabendo-o inevitável 
(que bom seria sempre ajustar o corpo previamente e minimizar pancada)

também no balé, pelo retorno depois de longa pausa e pela pouca carne em torno dos ossos todos, qualquer minuto de joelho no chão me causa hematoma. é o tom de roxo forte das levezas

curioso estar adulta com o joelho ralado porque o corpo já tem registros da dor, já se acrescenta a chateação pelo golpe e o sofrimento pela futura marca. criança é careta, mertiolate e ilusão. os anos fazem algumas coisas de peso pequeno ralarem o juízo, coçando cascas e sentimentos ressecados

as partes frágeis duma pessoa tanto merecem quanto deveriam ser cobertas por matéria fofinha, como se parece a ternura, pra aplacar o que de mal quer chegar às camadas profundas

no que antecede as feridas, é possível falar de uma felicidade breve, corpórea e insana, de quem caminha em direção à praia ou tem o sangue correndo forte depois de saltos não ensaiados


*
pensei

a alegria é uma pele vermelha, viva e latejante na carne.


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