11 maio, 2016

você não pode fazer nada você não pode nem piscar
e a manhã se acaba. há quanto tempo é um tempo antigo?

tenho nos dedos, respectivamente,
um rio, sinais de luta, flor amarela, a espera e um caminho
das cavernas de onde se sai sozinha para provar um novo açúcar
que não te dá um fim doce mas mostra que você precisa de menos
e é já tão agradável
como se fosse assim desde o início dos tempos e o melhor momento,
a melhor saúde das tuas vias e veias

e veja

a terra gela num outono estranho, só repetem essa palavra
é maio e só ouço como o tempo é estranho, os corações se estranham muito
na briga eterna pelo alto. cê quer é subir, de matéria leve,
precisar dos outros um nada - a autossuficiência é o engano mais bonito
do mundo vegetal
a vontade brota da base do pé naquela terra úmida que te falei
ação é substrato, é só começar
só salta, não é fácil? por cima do relógio das horas

você não pode fazer nada você não pode nem piscar